de-vir-ando

Um exercício de devir, um convite ao vir-a-ser.

No final das contas, dramaturgia é a vida sem as partes chatas”.
— Alfred Hitchcock
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Fiona Apple
Love Ridden

Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.

Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.

— Murilo Mendes
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Duke Ellington
Rocks In My Bed

Me ligaram dizendo que eu não tinha mais alma. Bateram o telefone na minha cara. Não houve grosseria, a voz era estável, perene, mas não era gravação nem tinha entonação de telemarketing; foi alguém que me ligou, a coisa só não era pessoal.

A frase parecia que ia durar pra sempre: “você foi devidamente desalmado”. Tu tu tu tu. Realmente, muito “devido”. Levaram meus gostos embora, foi minha primeira interpretação. Bem que achei que tinha tomado “insípido” no café-da-manhã… um elixir de sensaçao-que-não-fica. E como me disseram que era tudo ligado - boca, nariz, ouvido -, também devo ter ouvido um shhhh e cafungado o chão. Não, eu fui desalmado.

Me ligaram. Durou 3 segundos. E agora eu sinto um Não.

Me ligaram.

sinto Não.

Durou 3 segundos.

Não.

Mas esta bem-aventurada certeza eu achei em todas as coisas: que é ainda com os pés do acaso que elas preferem dançar.
— Friedrich Nietzsche contra a “escravidão à finalidade” em “Antes que o sol desponte”, texto que está no livro III de Assim Falou Zaratustra.
De tudo que se escreve, aprecio somente o que alguém escreve com seu próprio sangue. Escreve com sangue; e aprenderás que o sangue é espírito.
Não é fácil compreender o sangue alheio; odeio todos os que lêem por desfastio.
Aquele que conhece o leitor nada mais faz pelo leitor.
— Friedrich Nietzsche in Assim Falou Zaratustra .