Mulheres Invisíveis (3)
Carolina tem lábios do fogo que lambe prédios no centro de Bangkok. Abre o mundo numa clareira sem pelos pubianos. Assina em negrito e fala guardando a língua para as paisagens que ainda vai engolir. Carolina só para de gemer em caso de fissão nuclear.
Marie aluga fragmentos do início da vida por carinhos nos pés. Atende o telefone cantando, dança sem música e goza gritando pra dentro. Sabe o quer dessa vida e sabe o que eu quero também. Anteontem, fez passos de tango com o morro da Urca.
Summer tem fios de nylon invisíveis ligados ao meu peito que ela controla de olhos fechados. Foi concebida em tons de rosa e tintas bizantinas, mas veio ao mundo por um quadro de Degas. Movimenta-se como aquarela no algodão e nunca está em preto-e-branco. Summer nunca foi uma promessa.
Me ligaram dizendo que eu não tinha mais alma. Bateram o telefone na minha cara. Não houve grosseria, a voz era estável, perene, mas não era gravação nem tinha entonação de telemarketing; foi alguém que me ligou, a coisa só não era pessoal.
A frase parecia que ia durar pra sempre: “você foi devidamente desalmado”. Tu tu tu tu. Realmente, muito “devido”. Levaram meus gostos embora, foi minha primeira interpretação. Bem que achei que tinha tomado “insípido” no café-da-manhã… um elixir de sensaçao-que-não-fica. E como me disseram que era tudo ligado - boca, nariz, ouvido -, também devo ter ouvido um shhhh e cafungado o chão. Não, eu fui desalmado.
Me ligaram. Durou 3 segundos. E agora eu sinto um Não.
Me ligaram.
sinto Não.
Durou 3 segundos.
Não.
Não é fácil compreender o sangue alheio; odeio todos os que lêem por desfastio.
Aquele que conhece o leitor nada mais faz pelo leitor.
Envolvido em filosofia que liberta e que sonha (de um alemão e de um francês), acabei escutando um violino, tocando aqui não muito longe. Moro de frente numa rua do centro do Rio. De que caralhos veio um violino? O tarja preta que tenho tomado pra terminar com um carma acadêmico não era pra causar alucinações. Mas talvez o Zaratustra sim.
Agora voltou o samba/pagode/qualquerbatuque que ronda essas vizinhanças, vem de brinde. Visite a Lapa e ganhe um batuque tiracolo.
Será quem mataram o violinista a pandeiradas?


