de-vir-ando

Um exercício de devir, um convite ao vir-a-ser.

Me ligaram dizendo que eu não tinha mais alma. Bateram o telefone na minha cara. Não houve grosseria, a voz era estável, perene, mas não era gravação nem tinha entonação de telemarketing; foi alguém que me ligou, a coisa só não era pessoal.

A frase parecia que ia durar pra sempre: “você foi devidamente desalmado”. Tu tu tu tu. Realmente, muito “devido”. Levaram meus gostos embora, foi minha primeira interpretação. Bem que achei que tinha tomado “insípido” no café-da-manhã… um elixir de sensaçao-que-não-fica. E como me disseram que era tudo ligado - boca, nariz, ouvido -, também devo ter ouvido um shhhh e cafungado o chão. Não, eu fui desalmado.

Me ligaram. Durou 3 segundos. E agora eu sinto um Não.

Me ligaram.

sinto Não.

Durou 3 segundos.

Não.